Era aquele típico fim de final de semana. Todos eram obrigados a dormir cedo ou seriam obrigados a chegar atrasado no trabalho no dia seguinte. Mas não ela. Deitada na sua cama, virava de um lado para o outro. Pensou que era o frio e foi buscar outro cobertor. Mas continuava acordada e sem sono fitando o teto do quarto com os pensamentos a mil. Era tanta coisa que a deixava inquieta o bastante para sentar na cama. Tentou colocar os pensamentos no lugar. Existiam alguns berrando, ruídos, outros eram apenas leves sussurros. Não sabia por onde começar. Sua família prestes a se destruir. As besteiras que fizera durante a semana. Seus amigos se distanciando, ou seria ela que estava se distanciando dos seus amigos? Não importava, mas a impressão que ela tinha era que todos em volta dela se machucavam com algo que ela fazia ou falava. Sempre, mais e mais pessoas que ela amava estavam cada vez mais longe e ela não sabia o que fazer. Com uma mente ativa, sã ou não, ela falava aquilo que lhe convinha, aquilo que achava [por mais que fosse certo ou errado, ao ver dela ou não] e só depois de dito que se dava conta do que havia feito, tarde de mais, mais uma pessoa querida distante. Descobriu então de que todos seus problemas se resumiam na sua sinceridade, na sua mania de falar o que queria, quando queria, como queria. Depois disso teve uma brilhante ideia. Levantou-se e pegou um caderno na sua mochila. A partir daquele momento iria escrever tudo o que sua mente fértil, pervertida, perversa, irónica, sádica, apaixonada, rebelde, filosófica e intrigante pensava, entre outras coisas. Falaria apenas quando alguém lhe pedisse.
Anos depois ficou muda por falta de uso da sua voz.

0 se coçaram para comentar:
Postar um comentário