sábado, 16 de janeiro de 2010

O que exatamente foi isso?

Eu olhei pra ele com uma cara de desanimo. Não tinha muito mais o que fazer. Por mais que eu quisesse, nada o faria mudar de ideia. Afinal de contas eu não tinha aquele direito. Por isso reprimi minha tristeza/raiva. Minha tristeza/raiva era infundada. Jurei não mais implorar depois que aquele outro foi embora, não seria por esse aqui que eu iria quebrar minhas regras. Virei de costas pra ele, sem nada dizer. Andei até a porta. Meu salto alto, batendo no chão de madeira, fazia um eco suave pelo aposento vazio. Suave com meu andar. Vazio como o coração dele. Não exatamente vazio, existia apenas uma pessoa para ocupar aquela sala. Aquele coração. Aquela sala não era pra mim, nem aquele coração. Toquei a maçaneta da porta. Girei a chave.

- Aonde você vai? - perguntou com a voz macia. Ele não sabia o que estava acontecendo. Provavelmente não sabia da guerra dentro da minha cabeça nos últimos meses. Não era culpa dele.

Eu virei para encara-lo. Seu rosto era calmo, mas seus olhos estavam confusos. Minha voz era firme e calma. Não ia deixar minha frustração transparecer. Eu não ia dizer nada mas já que ele perguntou...

- Não que isso vá afetar você de alguma maneira, mas estou saindo dessa sala antes que eu te obriga a me dizer mais um "não". Eu me convidei a entrar, agora estou me retirando, sem provocar nenhum estrago, nenhum risco nesse seu chão tão bem polido, nem ao menos sentei no sofá, mesmo porque você não perguntou se eu queria. Se um dia você mudar de ideia, e quiser me convidar pra entrar, tudo bem eu vou adorar ser sua convidada, mas eu não quero ter que arrombar a sua porta. Se cuida, e tome cuidado com quem você convida pra entrar. Muitas vezes essas pessoas não são tão cuidadosas como eu... Podem riscar o seu chão, quebrar sua mobília, riscar suas paredes, essas pessoas dão um belo prejuiso, e pode ter certeza, vai demorar pra fazer uma reforma nisso aqui. Vai por mim. Tive uma esperiencia horrível a um tempo atraz. - Ele me olhou mais confuso do que antes. Ele não entendeu a analogia, mas que se dane, também não era pra intender. - Bom, você tem meu numero, como disse antes, se você quiser me convidar qualquer dia, vai ser um prazer, pode ter certeza que eu vou aceitar. Se não quiser me ver nunca mais, tudo bem, eu vou intender.

Virei a maçaneta e sai porta afora. Fechei e fiquei parada ali na frente por alguns segundos. Respirei fundo e comecei a andar. Dez passos e eu já queria dar meia volta e arrombar aquela porta. Dar um abraço nele, dizer que sinto muito. Tentar de novo, insistir e implorar. Guardei a vontade pra mim mesma. Eu tinha matado aquele eu a algum tempo. Não ia voltar acontecer. Não ia. Sai do prédio andando rápido sem olhar pra traz. Mas eu senti seu olhos me fitando. Provavelmente na janela, olhando pra mim e pensando "O que exatamente foi isso?".

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