terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Quantos amigos você tinha 10 ano atras? Quantos você ainda ve? Quantos não encontra mais?

Depois de um dia chato de trabalho, semana de festas de final de ano, não tinha nada pra fazer. Ia levando aquela velha rotina trabalho-casa-computador-cama-trabalho. Andando sozinha pela rua meu celular toca e do outro lado uma voz masculina me chama pelo apelido que somente aqueles velhos amigos me chamam. – vai fazer o que agora? – nada e você? Marquei um ponto de encontro qualquer no centro da cidade. Quando cheguei, lá estava ele com aquele largo sorriso me dizendo oi. Um amigo. Que coisa, tenho me sentido tão sozinha nos últimos dias. Veio a calhar. Um velho amigo. O melhor amigo, que não via há tempos pela conseqüência dos anos passados e das responsabilidades impostas. Depois de uma piadinha, uma velha piadinha entre amigos, saímos caminhando no caos da cidade “grande” no final de uma tarde, que me passa despercebido com aquela companhia que pra mim é tão agradável. Depois de alguns minutos escolhemos um lugar para sentar. Lembranças, confissões, arrependimentos, o que mudou, o que vai mudar. Tópicos e mais tópicos a serem abordados. Nessa hora me vem a saudade ao lembrar os tempos em que responsabilidade não existia em meu vocabulário. Quando a única rotina imposta era ir para o colégio. E lá via meus amigos, meus velhos amigos, meus melhores amigos. Confissões de segredos que hoje já não são mais segredos, mesmo assim são relevantes. Arrependimentos de termos deixado de fazer coisas que temíamos, mas que sabíamos que não haveria arrependimento se fizéssemos. Um suspiro. Nossas obrigações. Nossas rotinas atuais. Nossas saudades. Nossas desilusões. O tempo passa muito rápido. A gente vai ficando velho e nem vê. O tempo passa muito rápido e – olha a hora, está tarde, preciso ir. Eu o acompanho até o ponto de ônibus, que é mais perto que o meu. Alguns minutos se passam e enxergo o ônibus ao longe vindo em nossa direção. Ganhei um abraço. Um abraço apertado. Que abraço bom. Tinha me esquecido de como era bom. Aquele abraço que costumava ganhar no mínimo duas ou três vezes por dia, dois anos atrás. Depois de um minuto que pra mim foi equivalente a horas, um sussurro chega aos meus ouvidos, com a voz melancólica, triste e arrependida. - Te Amo. Antes que eu conseguisse responder, ganho um beijo carinhoso na minha bochecha rosada. Ele se vira e entra no ônibus, no ônibus que vai pra casa dela, da namorada. Eu aceno um tchau, ganho aquele largo sorriso como resposta. “Também te amo”, penso. Meus olhos acompanham o ônibus até ele virar a esquina. Dou meia volta, sigo meu destino. Sozinha mais uma vez.

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