Não aguentava mais aquilo. Aquele pavor que me acordava sempre no meio da madrugada, segurando meu ursinho de pelucia tão forte que quase arrancava seus pequenos braços. Meu pijama colado no corpo por culpa do suor. Toda noite. Pavor, assustada, suada. Corria ligar a luz. O escuro já não me fazia bem. Sentava na cama, e lá ficava, abraçada com meu ursinho. Queta, com medo de sonhar novamente. Mas o sono sempre me vencia... e o sonho sempre voltava....
E lá estava eu novamente, naquela sala que nunca tinha visto na vida. Escura. Não tinha uma unica fonte de luz. Nada... e lá eu ficava, até meus olhos se acostumarem com escuro. Muito escuro, mas ainda assim dava pra ter uma ideia da mobilia.
Apesar das estantes com seus livros, não parecia uma biblioteca. Não parecia um escritorio também, apesar da escrivaninha no canto. Nem ao menos um quarto, por mais que existice uma cama bem no meio da sala.
Estava quase na hora... a hora do desespero... eu sabia que estava por vir... mas hoje, hoje eu iria fazer diferente, sentei na cama e esperei. Lá estava a porta. Eu podia ver a luz que passava pela pequena fresta em baixo da porta. Luz. Luz! Podia ver sombras. Tinha alguem do outro lado da porta. Das outras vezes eu tentei abrir, mas hoje não valeria a pena, pois ela estava trancada e eu já sabia disso. Minutos depois os sons começaram a aparecer. Passos, carros, latidos, vozes. Nas outras vezes eu tentei gritar, até ficar rouca, mas não hoje pois eu sabia que ninguem iria me ouvir. O som ficava mais alto a cada minuto. Algo colidindo. Pessoas berrando. Os latidos viraram ganidos... era nessa hora que eu acordava. Mas hoje não, o pavor já não tomava conta de mim. Mas eu não sabia mais o que aconteceria apartir daquele ponto, e comecei a ficar com medo.
O barulho que vinha por de traz da porta ficava cada vez mais irritante, ensurdecedor. Musicas altas, com as letras mais xulas e pesadas possiveis. Até o ponto em que eu tive de tapar meu ouvido. Uma esplosão. A mobilia tremeu. Alguns livros cairam da estante. E então, o silencio. Mais nenhum barulho. Fiquei alguns segundos vespirando fundo, esperando pela proxima surpresa daquele sonho. E a porta se abriu... bem de vagar, num brilho tão magnifico que quase chegou a me cegar. Fui com os olhos semicerrados tatiando em direção a porta.
Foi quando meus olhos se acostumaram com a claridade que meu pavor veio a tona. Do lado de fora da porta o que eu vi foi aterrorizante. Pessoas mortas, outras se matando. Pessoas roubando, maltratando bixinhos indefesos. Eu vi matas que eram tão vastas virarem deserto. Eu vi o homem matando o outro homem porque um tinha uma tonalidade de pele diferente. Eu vi crianças vendendo o corpo para sobreviver. Eu vi as drogas. Eu vi os corruptos. Eu vi o homem matando a natureza como se ela o pertencece quando na verdade o homem é que faz parte da natureza. Eu vi a natureza se rebelar e inundar casas. Fiquei tão apavorada que aquele quarto atraz de mim era um conforto.
E foi ai que eu acordei. Levantei correndo e desliguei a luz. O escuro é muito mais confortavel. Eu gosto do escuro... agora é da luz que tenho medo.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
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